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Arquivo da Categoria Recomendamos

01/07/2011 - 16:10

Opinião do Consumidor: Göttlich Divina!

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Elaborada pelo mestre cervejeiro Leonardo Botto (associado fundador e atual Presidente da ACervA Carioca – Associação de Cervejeiros Artesanais Cariocas), as Göttlich Divina! Pilsen e Weiss nasceram após uma visita ao Monastério de Weihenstephan, em 2007 (casa de uma das melhores Weiss do mundo, a Weihenstephaner). A visita rendeu a exportação dos lúpulos e leveduras Weihenstephan e Hallertäu, da Alemanha e Saaz, da República Tcheca, que aqui encontram o Tropical Guaraná da Amazônia em uma receita bastante particular.

Na versão pilsen da Göttlich Divina!, o aroma é marcado pela presença de lúpulo floral e malte encobrindo o tão esperado guaraná, que fica na retaguarda meio que causando um charme. Na boca, no entanto, o guaraná se faz muito mais presente (ainda que discreto – a intenção pelo jeito não era fazer uma cerveja doce, mas sim uma pilsen aromática e um tiquinho adocicada), principalmente no primeiro toque na língua, adocicado (com lembrança de mel). O amargor aparece no final marcando o céu da boca e a garganta. Muito boa.

Já na versão Weiss, o aroma é totalmente ocupado pelo tom de banana (escondendo o guaraná), característica básica de uma boa Weiss (aqui reforçada pela valorização do fermento Weihenstephan). No paladar, altamente refrescante, a banana se acentua ainda mais e o conjunto se torna mais adocicado do que o de uma Weiss comum. O guaraná desaparece no conjunto e surge discretamente no final – mas é o responsável pelo delicioso dulçor da cerveja e também por deixa-la bem mais encorpada que uma Weiss tradicional.

As duas Göttlich Divina! estão sendo fabricadas pelo Opa Bier e distribuídas pela On Trade. Os preços variam entre R$ 13 e R$ 15 (a garrafa de 600 ml) e ambas são ótimas cervejas que podem surpreender na mesa. A presença do guaraná é delicada e acentua qualidades nas duas versões. Vale muito experimentar.

Teste de Qualidade: Göttlich Divina! Pilsen
– Produto: Pilsen
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,5%
– Nota: 3,19/5

Teste de Qualidade: Göttlich Divina! Weiss
– Produto: Weiss
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,8%
– Nota: 3,20/5

Veja também:
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Weihenstephan, a cervejaria mais antiga do mundo (aqui)

Autor: - Categoria(s): Opinião do Consumidor, Recomendamos Tags:
30/06/2011 - 10:21

Trailer do documentário “Cerveja Falada”

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“Diga lá Marcelo, estava conferindo no teu blog os posts sobre cerveja – quem escreve é o Demétrio da banda Repolho.

Fizemos um doc recentemente, “Cerveja Falada”, sobre um cervejeiro de SC, Canoinhas, em que a vida foi toda ela voltada para a produção artesanal de cerveja. Segue o trailer:”

Quer conhecer mais do documentário? Escreva para Demétrio Panarotto: demetriopanarotto@gmail.com

Autor: - Categoria(s): Recomendamos Tags:
06/05/2011 - 14:40

Cinco pubs de cervejarias nos EUA

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A edição de fevereiro da revista Alfa (com Chico Buarque na capa) trazia uma interessante reportagem sobre o Vale das Cervejas, no Estado do Colorado, região que tem, contada, 74 microcervejarias (leia, depois, aqui – hehe). Não fui a nenhuma dessas cervejarias na viagem, o que não quer dizer que me rendi ao império Inbev, muito pelo contrário, e abaixo listo (em cada uma das cidades pelas quais passei) bares cervejarias que valem muito a sua visita.

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Elevator Brewery And Draught, Columbus
A chance de você passar pela simpática capital do Estado de Ohio é pequena, mas se acaso acontecer, a High Street é a rua que você precisa encontrar. Dois bons pubs cervejarias estão ali: a Barley’s Brewing (nº 467), que além de cervejas direto do barril tem no cardápio a ótima Blue Moon e bons sanduíches, e a preferida da casa, Elevator Brewing. Em uma bela mansão de 1897, assombrada por fantasmas e espíritos (segundo o cardápio), o pub exibe uma lista extensa que mantém, ao menos, 12 tipos de cerveja diferentes escorrendo pelas torneiras. Você pode arriscar entre alguma dos cavalos de batalhas da cervejaria (Dark Horse, medalha de bronze em torneio, a Procastinator Doppelbock ou a demente Hours Imperial Red Ale, de 11% de graduação alcoólica) ou pedir um sampler com três (US$ 4,50) ou seis (US$ 9) cervejas do cardápio. Minha preferida: Three Frogs, uma IPA de responsa.

http://www.elevatorbrewing.com/

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Magnolia Pub and Brewery, São Francisco
Sob o comando do brewmaster Dave McLean, o Magnolia Pub não é só o lugar que vende brownie de chocolate com bacon de sobremesa. Todas as cervejas do cardápio são feitas na casa (são quase 20, embora algumas sejam sazonais) e os destaques são a poderosa Pride to Branthill, uma english strong ale de corar a alma com 9% de graduação alcoólica, mas deixe-a para a segunda ou terceira rodada (senão as outras soaram apagadas, menores), a Piper Pale Ale (5,2%) e a encorpada Stout of Circustance. Eles ainda têm uma Cole Porter no cardápio e uma sazonal bastante interessante: Magnolia Bonnie Lees Best Bitter. O fish and chips (tradicionalíssimo com fritas bravas e muito óleo) é ótimo. Pub com jeitinho de decadente, mas muito bem freqüentado, o Magnolia fica numa esquina da Haight Street, 1398, no bairro da contracultura.

http://www.magnoliapub.com/

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Barney’s Beanery, Los Angeles
Esqueça a Calçada da Fama. Este é o lugar obrigatório (junto com a Amoeba) a se passar em LA. Pub bacana que em suas mesas viu desde Marilyn Monroe comer sanduíche, Jimi Hendrix conversar com Janis Joplin pela última vez antes da overdose, e Quentin Tarantino rabiscar o roteiro de “Pulp Fiction” (entre outras coisas), e que hoje em dia está lotado de TVs passando jogos de basquete, hóquei e beisebol – além de ter mesas de bilhar. De produção própria só tem a boa cerveja que leva o nome da casa, mas o cardápio tentador tem mais de 200 marcas divididas entre EUA e Estrangeiras e entre torneira e garrafa. No cardápio (veja aqui e aqui) tinha uma Monty Python’s Holy Grail inglesa (que estava em falta), que me deixou curioso (essa da foto é uma Pyramid Hefe, do Havaí). A comida é bem boa – destaque para o chilli. São cinco filiais, mas a original é a da Santa Monica Boulevard, 8447, em West Hollywood, trecho histórico da Route 66.

http://www.barneysbeanery.com/

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Rock Bottom, Chicago
Pub cervejaria com mais de 30 filiais pelos Estados Unidos, a Rock Bottom de Chicago tem uma boa localização (na saída do metrô Grant, Red Line, na Magnificent Mille) e belíssimas cervejas no cardápio em um ambiente bem legal que se divide entre pub e restaurante. O mestre cervejeiro Chris Rafferty defende que uma boa cerveja se faz unindo as tradições com criatividade. Isso lhe rendeu dezenas de prêmios, como duas medalhas de ouro na Copa do Mundo de Cervejas em 2010. Assim como na Elevator, aqui você pode pedir um sampler com seis cervejas da casa antes de optar por um belo pint. Numa votação entre amigos (eu, Renato e Carlos), a Special Dark, uma stout com vários prêmios e muita personalidade, saiu vencedora, mas a clássica IPA, a ótima Red Ale e a encorpada Bock também podem fazer você feliz. Todo mês, Chris apresenta uma cerveja especial para o cardápio. Vale ficar atento.

http://www.rockbottom.com/chicago/

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Brooklyn Brewery, Nova York
A Brooklyn não é um pub, mas tem como beber cerveja lá. Uma das melhores cervejarias americanas tem casa no Brooklyn (muito fácil chegar de metrô) e faz concorridos tours de experimentação (incluindo títulos que não são encontrados no mercado) durante vários dias da semana no verão, além de ter um boliche, em que você pode jogar com os amigos bebendo direto dos barris fresquinhos. O grande mestre cervejeiro Garrett Oliver conseguiu dar às cervejas da Brooklyn uma característica que une todas as marcas do grupo, sem descaracterizá-las de sua essência. Assim, a Pale Ale deles é maravilhosa, mas tem algo que faz você saber que é uma Brooklyn. Esse mesmo algo, por exemplo, marca as monstruosas Monster Ale e Brooklyn Blast, de teor alcoólico elevado (10% a primeira, 9% a segunda) e muita personalidade. Visite a casa da melhor cerveja americana (grifo meu) na 79 North 11th Street, em Nova York, e muito cuidado com essas fichinhas da foto…

http://www.brooklynbrewery.com/

Veja também:
– Diário EUA 2011: http://screamyell.com.br/blog/category/eua-2011/
– Fotos da viagem: Flickr do Marcelo (aqui) e Flickr do Renato (aqui)
– Top 25 de cervejas da viagem (aqui) e Top 100 de cervejas (aqui)

Autor: - Categoria(s): Causos, Recomendamos Tags:
28/04/2011 - 07:34

Opinião do Consumidor: Bernard Dark

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Em 1991, três tchecos venceram o leilão de privatização de uma pequena cervejaria fundada no século 16, em Humpolec, uma cidadezinha de 10 mil habitantes na fronteira da Bélgica com a França. A Bernard estava falida, mas os novos donos apostaram e conseguiram conquistar os belgas a ponto de, dez anos depois, ganhar um aporte financeiro da Duvel Moortgat, que colocou a Bernard na prateleira de 26 países.

Como diferencial, a Bernard optou por trabalhar a cerveja microfiltrada ao contrário da pausterizada, bastante comum no grande mercado. Deste modo, as Bernard passam por processos de fermentação, que duram de 7 a 10 dias, e maturação em caves, que pode chegar a 40 dias. O catálogo da casa traz mais de dez rótulos, entre eles a Bernard Dark, uma cerveja escura elaborada com quatro tipos de malte.

A tampa de pressão é um luxo, e assim que aberta derrama no ar o aroma reconhecível de malte tostado das cervejas escuras. Há algo de doce no conjunto que a suaviza e a diferencia em relação a outras lagers escuras – principalmente as britânicas, mais amargas e encorpadas. O padrão adotado é o tcheco. Há bastante similaridade da Bernard Dark com outras tchecas escuras, como a 1795 Dark, por exemplo.

Além do malte tostado, o aroma traz algo de ameixa e de frutas cítricas sem sugerir complexidade. O paladar, desde o primeiro toque na língua, é levemente adocicado com amargor quase zero. O toque na garganta lembra algo de açúcar caramelado que consegue esconder o malte torrado (que está ali sugerindo café e chocolate amargo, sem tanta convicção). No final, há um rastro de café que persiste por um bom tempo.

Há uma leveza excessiva e uma falta de complexidade na Bernard Dark que acabam comprometendo o resultado final. Os referenciais estão todos no lugar, mas ela é tão leve que você pode achar que está bebendo um copo d’água borrado de café. Na falta da ótima 1795 Dark, os fãs podem até despistar com a Bernard, mas a diferença saltará da boca nos primeiros goles. Eis uma cerveja que, mesmo premiada, é apenas ok.

Teste de Qualidade: Bernard Dark
– Produto: cerveja lager
– Nacionalidade: República Tcheca
– Graduação alcoólica: 5,1%
– Nota: 3,09/5

Leia também:
– 1795 Dark, leve amargor que mantém o gosto no paladar (aqui)

Autor: - Categoria(s): Opinião do Consumidor, Provamos, Recomendamos Tags:
28/03/2011 - 15:25

Opinião do Consumidor: Westvleteren 8

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Westvleteren é uma aldeia na província dos Flandres Ocidentais, na Bélgica. A cidade (quase na fronteira com a França) é conhecida por dar nome a uma cervejaria fundada em 1838 na abadia trapista de Saint Sixtus, que já foi apontada por especialistas como fabricante da melhor cerveja do mundo. O título que daria orgulho para muitas cervejarias não foi visto com bons olhos no monastério. “Nós fazemos a cerveja para viver, mas não vivemos para a cerveja”, avisou o coordenador do claustro, Mark Bode, em entrevista (imperdível) ao tablóide britânico The Independent.

“Os monges acreditam que o mais importante é a vida monástica, não a cervejaria”, continua Mark, lembrando que a produção de cerveja da Westvleteren visa apenas financiar a comunidade – assim como as outras cinco cervejarias trapistas belgas conduzidas por religiosos (a saber: Westmalle, Achel, Chimay, Rochefort e Orval). Eles levam a regra tão à sério que você não irá encontrar as Westvleteren para comprar em empórios ou distribuidores: desde 1941 ela é vendida unicamente no mosteiro, com cota máxima de cinco caixas de 24 garrafas para cada pessoa, e o cliente tem que prometer não vender a cerveja! Você sabe, Deus está vendo.

Essa número 8 da foto acima chegou a minhas mãos como um presente especialíssimo do Guilherme Tosi (@guilhermetosi), que visitou o mosteiro e comprou um pack de seis cervejas. A garrafa não traz rótulo, mas a tampinha leva o brasão da casa e exibe a validade – neste caso, maio de 2013 – além de avisar que você está diante de uma cerveja de 8% de graduação alcoólica. Eles ainda fabricam uma versão loura, de 5,8%, que é liberada para consumo dos próprios monges, e uma número 12 (de 12% de graduação alcoólica), a vedete da casa eleita a melhor do mundo pelo site independente norte-americano Rate Beer – para desespero da comunidade.

No caso da número 8, o aroma é seco e perfumado (maçã em destaque) com notas de cravo, ameixa e nozes – e algo que lembra muito a madeira (e conquista logo que a cerveja é derramada no copo). O sabor, maravilhoso, é encorpado, mas suave. O primeiro toque é adocicado, então um leve amargor se faz presente e ambos vão se revezando (de forma impressionante) sem que um prejudique o outro. Há algo de frutado (ameixa e cereja) e um adocicado que remete diretamente a açúcar mascavo (mas sem o melado). O malte torrado aparece discretamente ao lado do álcool, extremamente bem balanceado no conjunto de uma cerveja espetacular.

Não tem muito mais o que falar. É uma das melhores cervejas do mundo, ponto. Favorite o site do mosteiro (aqui) e leia, ainda, a entrevista rara que o monge Mark Bode concedeu ao The Independent (aqui). E coloque como meta um dia conhecer o lugar. Você não vai se arrepender.

Ps. Tosi, novamente, obrigado \o/
Ps 2. Nunca terminar uma cerveja deu tanta dor no coração.

Teste de Qualidade: Westvleteren

– Westvleteren 8
– Produto: Dark Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 8%
– Nota: 5/5

Autor: - Categoria(s): Opinião do Consumidor, Provamos, Recomendamos Tags:
25/03/2011 - 06:39

Opinião do Consumidor: Brooklyn (parte 2)

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Eis mais duas belíssimas surpresas da cervejaria que ousa enfrentar o imperialismo american lager que assola os Estados Unidos (chegando a ecoar no Brasil). As versões Vienna Lager, Índia Pale Ale e Ale já passaram por aqui (links no fim do post), mas as duas cervejas abaixo são coisa de gente grande, com graduação alcoólica altíssima e uma confusão de sabores para paladar nenhum colocar defeito.

A Brooklyn Monster Ale nasceu em 2009 e é uma cerveja sazonal disponível apenas de dezembro a março. Os norte-americanos capricharam nessa versão Barley Wine (de cervejas tão fortes quanto vinho) da casa. O malte escocês fica curtindo durante quatro meses resultando numa cerveja encorpada, quase licorosa, mas de aroma conquistador (madeira, nozes, vinho) e sabor lupulado, meio doce, que desaparece no final seco.

O amargo do lúpulo disfarça a alta graduação alcoólica, mas é bom não brincar com esse monstrinho. É pra ir devagar e beber como acompanhamento de pratos. O site oficial a recomenda com “queijos, sorvetes, crème brûlée e bons charutos”. Uma das vantagens do estilo é sua durabilidade: é possível guardá-la por bastante tempo. Essa da foto tinha validade para dezembro de 2013. Ou seja, podia ficar ainda melhor. Você teria paciência com ela na geladeira?

Já a Black Chocolate Stout tem tudo para se tornar a stout mais forte que você irá provar na vida. Não só porque a graduação alcoólica é uma cacetada de 10%, mas porque tudo nela é muito mais intenso. Inspirada no estilo Imperial Stout (nascido das cervejas inglesas feitas no século XVIII para a corte de Catarina II, da Rússia, que precisavam de alto teor alcoólico para não congelar no transporte pelo Mar Báltico) a Brooklyn preparou uma cerveja especialíssima.

Seu aroma, naturalmente, é carregado por notas de café impregnadas por chocolate amargo e álcool, este último bastante perceptível. O paladar é invadido por algo que lembra demais chocolate amargo (intensamente), e também café, ameixas e malte torrado. O amargor intenso marca o céu da boca e preenche toda a garganta, com final inicialmente adocicado (mas muito levemente) para terminar amargo (com gosto forte de café, ou o meio termo: cappucino). Uma maravilha.

Teste de Qualidade: Brooklyn (parte 2)

– Brooklyn Monster Ale
– Produto: Barley Wine
– Nacionalidade: Estados Unidos
– Graduação alcoólica: 10,1%
– Nota: 4,57/5

– Brooklyn Black Chocolate Stout
– Produto: Imperial Stout
– Nacionalidade: Estados Unidos
– Graduação alcoólica: 10,1%
– Nota: 4,59/5

As duas foram compradas diretamente na distribuidora, a Casa da Cerveja, ao preço de R$ 18 a garrafa de 330 ml. Assim com a Moster Ale, a versão Black Chocolate Stout também é sazonal, sendo feita apenas de outubro a março.

Leia também:
– Brooklyn na contra-mão do imperialismo american lager (aqui)

Autor: - Categoria(s): Opinião do Consumidor, Provamos, Recomendamos Tags:
07/03/2011 - 10:52

Opinião do Consumidor: Theresianer

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O nascimento da cervejaria ítalo-austriaca Theresianer remonta ao período em que Trieste pertencia a Áustria. Mais precisamente em 1766, quando um austríaco obteve permissão de Maria Teresa da Áustria (arquiduquesa e soberana da Áustria, Hungria, Bohemia, Croácia, Mântua, Milão, Galícia, Lodomeria, Parma e Países Baixos Austríacos entre 1740 e 1780) para abrir a primeira cervejaria da cidade – seguindo o modo austríaco de fazer cerveja.

O nome da cervejaria homenageia o bairro Borgo Teresiano, em Trieste, próximo ao porto da cidade e ao Grande Canal, mas a cervejaria se encontra mais afastada do Mar Adriático, aos pés das Dolomitas, cadeia montanhosa dos Alpes orientais no norte da Itália, na cidade de Nervesa della Battaglia, província de Treviso (terra dos Callegari – pertinho, bem pertinho de Veneza). Ou seja, um local de água pura, ingrediente especial para qualquer boa cerveja.

A versão Premium Pils da Theresianer é uma pilsner que segue o padrão tcheco de qualidade: ela é bastante leve, muito mais loira e dourada que as novas pilsens, e mais lupulada também. O aroma destaca uma briga equilibrada entre malte e lúpulo (se alternando). Já o paladar, levíssimo, tem o lúpulo à frente do malte. O amargor característico persiste desde o primeiro toque na língua até o final duradouro, que marca a garganta. Uma pilsener belíssima e acima da média.

Se a pilsner dos italianos já é recomendável, a pale ale é ainda mais surpreendente. Assim como a loura da cervejaria, a Theresianer Pale Ale é levíssima e pouco amarga, ficando mais próxima das Pale Ale belgas do que das inglesas. O aroma carrega na intensidade do adocicado e do frutado (laranja, mel e caramelo) ao lado do malte e do lúpulo (ambos tímidos), que permanecem no sabor (com o álcool marcando presença discretamente) até o seu final extremamente suave. Para procurar em Roma e Veneza.

Além da Theresianer Premium Pils e da Theresianer Pale Ale, a Casa da Cerveja está trazendo para o Brasil a premiada Theresianer Vienna, que foi a que menos me conquistou do trio. As características estão todas ali: a cor acobreada, o aroma maltado e o sabor entre o caramelado e o amargo, mas ela não parece tão saborosa (a da Brooklyn, por exemplo, é maravilhosa, vá atrás), além de ser um pouquinho aguada e não tão amarga. É boa, mas perde para irmãs de estilo.

Teste de Qualidade: Theresianer

– Theresianer Premium Pils
– Produto: Pilsner
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 3,08/5

– Theresianer Pale Ale
– Produto: Pale Ale
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 3,15/5

– Theresianer Vienna
– Produto: Vienna Lager
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 5,3%
– Nota: 3,03/5

A Theresianer pode ser encontrada no Empório do Shopping Frei Caneca ou mesmo na loja da Casa da Cerveja (Rua Lisboa, 502, Pinheiros, São Paulo), todas com preço girando entre R$ 12 e R$ 15 (a garrafa de 330 ml).

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Autor: - Categoria(s): Opinião do Consumidor, Provamos, Recomendamos Tags:
28/02/2011 - 12:33

Opinião do Consumidor: Wäls

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O trio de fource da excelente cervejaria Wäls (da região da Pampulha, em Minas Gerais) têm apenas quatro anos de vida, mas são tão especiais e deliciosas quantos as milenares cervejas alemãs ou belgas. A cervejaria, por sua vez, nasceu em 1999, e começou fabricando chopes Pilsen, Stout e English Pale Ale para a rede de fast-food do patriarca da família, e só foi se aventurar nas belgas em 2007.

A Wäls continua fabricando os chopes além de engarrafar uma versão Pílsen Bohemia (também de receita belga), mas desde 2007 adentrou o território strong ale de cervejas, primeiro lançando a elogiada versão Dubbel (bastante tradicional), e nos dois anos seguintes surgindo com as sensacionais versões Trippel (2008) e Quadruppel (2009), a última a mais forte da casa, e desde já uma das melhores cervejas brasileiras.

A ideia pessoal era começar pela Dubbel (7,5%) e então passar para a Tripel (9%), mas na hora de fazer a foto, me enrolei e quando vi já havia enchido o copo com a complexa, assustadora e sensacional Quadruppel, 11% de teor alcoólico embrenhado em meio a um aroma adocicado que lembra caramelo, ameixa e uvas passas e prepara o paladar para uma experiência especialíssima.

A Quadruppel consegue conciliar com brilhantismo a imensa quantidade de álcool (que aqui remete diretamente a melhor cachaça mineira, como avisa a fórmula) com um adocicado que lembra ameixa, café (mas de forma bem leve), malte e caramelo, que permeiam a boca durante toda a passagem, deixando no final um ponto de amargor (característico de cachaça) que finaliza uma cerveja excepcional.

Eis uma cerveja encorpada e forte, mas não agressiva. Seu principal diferencial surge na maturação, quando são inseridos chips de carvalho que, antes, foram deixados marinando em cachaça mineira – e esse processo confere extrema personalidade ao conjunto. A cerveja continua sendo refermentada na garrafa. A validade desta que provei era outubro de 2013.

Após se encantar com a Quadruppel, a versão Trippel parece ser a cerveja mais leve do mundo. Não é bem assim. São 9% de graduação alcoólica, que seguindo a tradição belga, desaparecem no conjunto harmonioso. Aqui não há cachaça para rebater o adocicado, apesar de o aroma destacar o álcool em meio a notas de malte, coentro e casca de laranja (todos integrantes da formulação da Trippel), além de mel.

Ao primeiro toque na língua, o álcool se faz marcante, mas desaparece logo em seguida dando lugar a um dulçor que permanecerá durante toda a ingestão. Esse adocicado é embalado por frutado (lembrando algo de banana, mas bastante distante de uma Weiss, e algo de laranja) e um pouco de malte (que remete bastante a mel). No final, longo, o álcool volta a marcar presença. Uma bela cerveja, menos complexa e interessante que a Quadruppel, mas ainda assim especial.

Por fim, aquela que deveria ser a primeira: a Dubbel. Imagino que começando por ela, depois pela Trippel e terminando na Quadruppel, a empolgação seja maior. Mas quando se começa pela melhor, o paladar cobra um pouco mais. Importante ressaltar, as três cervejas têm personalidade definida ao ponto de uma se diferenciar bastante da outra. A Dubbel é a mais tradicional das três chegando a lembrar bastante as strong ales belgas (diferente da Quadruppel, cujo cachaça a torna praticamente única).

No aroma, a Dubbel traz as características notas de nozes, frutas secas, uvas passas, caramelo e café (os dois últimos em menor quantidade), com um pouquinho de álcool (são 7.5% de graduação) muito bem inserido no conjunto (como uma boa belga). Na boca ela impressiona mais. O começo valsa entre o adocicado e o amargo, numa complexidade deliciosa que remete a ameixa e malte, finalizando com um seco e levemente amargo (em teste cego, muitos diriam estar diante de uma belga original). Ainda que inferior as suas irmãs, uma cerveja excelente.

Teste de Qualidade Wäls Dubbel
– Produto: Strong Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 4,11/5

Teste de Qualidade Wäls Trippel
– Produto: Strong Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 9%
– Nota: 4,19/5

Teste de Qualidade Wäls Quadruppel
– Produto: Strong Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 11%
– Nota: 4,90/5

A Wäls pode ser encontrada em empórios e algumas lojas online entre R$ 11 e R$ 19 e garrafa de 330 ml (R$ 35 a garrafa de 750 ml) no formato com rolha, que pode ser guardado por até dois anos (ela continua refermentando na garrafa). As três acima foram compradas no Empório do Shopping Frei Caneca.

Autor: - Categoria(s): Minas Gerais, Provamos, Recomendamos Tags:
24/02/2011 - 15:16

Opinião do Consumidor: Wells Banana Bread

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O slogan da cervejaria britânica Wells & Youngs diz muito sobre os anseios da casa: “cervejas especiais para ocasiões especiais”. Nascida em 2006 da união da Charles Wells (fundada em 1876) e da Young’s Brewery (1831), a Wells & Young’s é responsável pela produção da John Bull e da ótima Young’s Double Chocolate Stout além de fabricar e distribuir no Reino Unido a jamaicana Red Stripe, a espanhola Estrella Damm e a ótima mexicana Negra Modelo.

A Wells Banana Bread Beer, como o nome apresenta, traz banana e malte estilo pão em sua composição (além de casca de limão), e ao contrário do que possa parecer, não é tão adocicada como esperado (uma boa surpresa). O aroma, extremamente delicioso e conquistador, é pura essência artificial de banana – com malte quase imperceptível. No paladar, no entanto, a banana se mistura com o malte mantendo um amargor leve do começo ao fim, que termina mais adocicado (banana, claro).

A leveza da Wells Banana Bread Beer impressiona, com os 5,2% de álcool bem inseridos no conjunto. A banana (marca das weiss, bem mais encorpadas que essa Wells) cumpre seu papel dando um toque diferente e bastante particular ao sabor, que em nenhum momento chega a enjoar, valorizando o equilíbrio da composição (a essência tão presente no aroma surge muito bem ambientada no paladar) de uma cerveja que merece ser provada. Minha preferida de frutas continua sendo a belga Mongozo, mas a Wells Banana Bread Beer foi uma grata surpresa.

Teste de Qualidade Wells Banana Bread Beer
– Produto: Strong Ale
– Nacionalidade: Inglaterra
– Graduação alcoólica: 5,2%
– Nota: 3,42/5
– Preço: entre R$ 15 e R$ 25 (garrafa de 500 ml)

Leia também:
– O aroma cativante da Young’s Double Chocolate Stout (aqui)

Autor: - Categoria(s): Opinião do Consumidor, Recomendamos Tags:
21/02/2011 - 12:41

Opinião do Consumidor: Weihenstephaner

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Com vocês, a cervejaria mais antiga do mundo. É sério. A Weihenstephan Brewery foi licenciada oficialmente por monges beneditinos na Bavária, Alemanha, em 1040, mas antigos documentos fazem referência a plantação de lúpulo por volta do ano 768. Há outra abadia, Weltenburg, também na Baviera, que diz que foi fundada por volta do ano 620, mas a falta de documentos oficiais coloca a Weihenstephan como a primeira cervejaria do mundo. Não é pouco.

Ou seja, quase mil anos de tradição cervejeira e história não podem ser ignorados. Durante o passar dos séculos, o mosteiro sobreviveu a invasões, saques e incêndios, até que em 1803 a abadia foi dissolvida pelo governo e a cervejaria estatizada e transformada em patrimônio da Bavária. Em 1919 (em um processo iniciado lentamente em 1852) a Weihenstephan Brewery passou a integrar a Universidade de Agricultura e Cervejaria de Munique, com um centro de produção que também forma mestres cervejeiros.

A Weihenstephaner Hefe Weissbier é uma cerveja que mantém todas as características das cervejas de trigo da Bavária: o aroma tem algo de floral e frutado, pendendo claro para banana (altamente reconhecível), mas também destacando o cravo. O paladar, no entanto, é extremamente leve, com um início adocicado que persiste até o (pouquíssimo amargo) final. A leveza é valorizada pela textura aguada que, ao contrário do que possa parecer, valoriza o conjunto desta cerveja extremamente refrescante. Uma delicia.

A versão Vitus da cervejaria é apresentada como um Weizenbock, porém sua cor está longe das ruivas tradicionais. A Vitus é dourada como uma boa cerveja de trigo, mas sua textura promete (e cumpre) uma cerveja mais encorpada que a versão Hefe da cervejaria. Então, pegue tudo do parágrafo anterior, e acrescente mais… sabor. É isso: a Vitus é mais saborosa que a Hefe com paladar e aroma invadidos pela presença intensa de cravo e banana.

Os 7,7% de teor alcoólico da Vitus – contra os 5,4% da Hefe – não soam agressivos ao paladar, embora a cerveja seja muito mais marcante – e o final mais duradouro. Ou seja: comparativamente falando (chutando), é muito mais fácil sentir no corpo que você bebeu uma Vitus do que duas Hefe. A segunda é muito mais leve e refrescante, enquanto a primeira pega o sujeito de jeito pelo sabor e pelo álcool (que não transparece no paladar, mas está ali – acredite). No entanto, as duas são excelentes pedidas.

Teste de Qualidade Weihenstephaner Hefe Weissbier
– Produto: Weiss
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 5,4%
– Nota: 3,99/5
– Preço: entre R$ 8 e R$ 15 (garrafa de 500 ml – vários supermercados)

Teste de Qualidade Weihenstephaner Vitus Weizenbock
– Produto: Weiss Bock
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 7,7%
– Nota: 3,98/5
– Preço: entre R$ 8 e R$ 15 (garrafa de 500 ml – vários supermercados)

Autor: - Categoria(s): Opinião do Consumidor, Recomendamos Tags:
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