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Arquivo de março, 2011

28/03/2011 - 15:25

Opinião do Consumidor: Westvleteren 8

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Westvleteren é uma aldeia na província dos Flandres Ocidentais, na Bélgica. A cidade (quase na fronteira com a França) é conhecida por dar nome a uma cervejaria fundada em 1838 na abadia trapista de Saint Sixtus, que já foi apontada por especialistas como fabricante da melhor cerveja do mundo. O título que daria orgulho para muitas cervejarias não foi visto com bons olhos no monastério. “Nós fazemos a cerveja para viver, mas não vivemos para a cerveja”, avisou o coordenador do claustro, Mark Bode, em entrevista (imperdível) ao tablóide britânico The Independent.

“Os monges acreditam que o mais importante é a vida monástica, não a cervejaria”, continua Mark, lembrando que a produção de cerveja da Westvleteren visa apenas financiar a comunidade – assim como as outras cinco cervejarias trapistas belgas conduzidas por religiosos (a saber: Westmalle, Achel, Chimay, Rochefort e Orval). Eles levam a regra tão à sério que você não irá encontrar as Westvleteren para comprar em empórios ou distribuidores: desde 1941 ela é vendida unicamente no mosteiro, com cota máxima de cinco caixas de 24 garrafas para cada pessoa, e o cliente tem que prometer não vender a cerveja! Você sabe, Deus está vendo.

Essa número 8 da foto acima chegou a minhas mãos como um presente especialíssimo do Guilherme Tosi (@guilhermetosi), que visitou o mosteiro e comprou um pack de seis cervejas. A garrafa não traz rótulo, mas a tampinha leva o brasão da casa e exibe a validade – neste caso, maio de 2013 – além de avisar que você está diante de uma cerveja de 8% de graduação alcoólica. Eles ainda fabricam uma versão loura, de 5,8%, que é liberada para consumo dos próprios monges, e uma número 12 (de 12% de graduação alcoólica), a vedete da casa eleita a melhor do mundo pelo site independente norte-americano Rate Beer – para desespero da comunidade.

No caso da número 8, o aroma é seco e perfumado (maçã em destaque) com notas de cravo, ameixa e nozes – e algo que lembra muito a madeira (e conquista logo que a cerveja é derramada no copo). O sabor, maravilhoso, é encorpado, mas suave. O primeiro toque é adocicado, então um leve amargor se faz presente e ambos vão se revezando (de forma impressionante) sem que um prejudique o outro. Há algo de frutado (ameixa e cereja) e um adocicado que remete diretamente a açúcar mascavo (mas sem o melado). O malte torrado aparece discretamente ao lado do álcool, extremamente bem balanceado no conjunto de uma cerveja espetacular.

Não tem muito mais o que falar. É uma das melhores cervejas do mundo, ponto. Favorite o site do mosteiro (aqui) e leia, ainda, a entrevista rara que o monge Mark Bode concedeu ao The Independent (aqui). E coloque como meta um dia conhecer o lugar. Você não vai se arrepender.

Ps. Tosi, novamente, obrigado \o/
Ps 2. Nunca terminar uma cerveja deu tanta dor no coração.

Teste de Qualidade: Westvleteren

– Westvleteren 8
– Produto: Dark Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 8%
– Nota: 5/5

Autor: - Categoria(s): Opinião do Consumidor, Provamos, Recomendamos Tags:
25/03/2011 - 06:39

Opinião do Consumidor: Brooklyn (parte 2)

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Eis mais duas belíssimas surpresas da cervejaria que ousa enfrentar o imperialismo american lager que assola os Estados Unidos (chegando a ecoar no Brasil). As versões Vienna Lager, Índia Pale Ale e Ale já passaram por aqui (links no fim do post), mas as duas cervejas abaixo são coisa de gente grande, com graduação alcoólica altíssima e uma confusão de sabores para paladar nenhum colocar defeito.

A Brooklyn Monster Ale nasceu em 2009 e é uma cerveja sazonal disponível apenas de dezembro a março. Os norte-americanos capricharam nessa versão Barley Wine (de cervejas tão fortes quanto vinho) da casa. O malte escocês fica curtindo durante quatro meses resultando numa cerveja encorpada, quase licorosa, mas de aroma conquistador (madeira, nozes, vinho) e sabor lupulado, meio doce, que desaparece no final seco.

O amargo do lúpulo disfarça a alta graduação alcoólica, mas é bom não brincar com esse monstrinho. É pra ir devagar e beber como acompanhamento de pratos. O site oficial a recomenda com “queijos, sorvetes, crème brûlée e bons charutos”. Uma das vantagens do estilo é sua durabilidade: é possível guardá-la por bastante tempo. Essa da foto tinha validade para dezembro de 2013. Ou seja, podia ficar ainda melhor. Você teria paciência com ela na geladeira?

Já a Black Chocolate Stout tem tudo para se tornar a stout mais forte que você irá provar na vida. Não só porque a graduação alcoólica é uma cacetada de 10%, mas porque tudo nela é muito mais intenso. Inspirada no estilo Imperial Stout (nascido das cervejas inglesas feitas no século XVIII para a corte de Catarina II, da Rússia, que precisavam de alto teor alcoólico para não congelar no transporte pelo Mar Báltico) a Brooklyn preparou uma cerveja especialíssima.

Seu aroma, naturalmente, é carregado por notas de café impregnadas por chocolate amargo e álcool, este último bastante perceptível. O paladar é invadido por algo que lembra demais chocolate amargo (intensamente), e também café, ameixas e malte torrado. O amargor intenso marca o céu da boca e preenche toda a garganta, com final inicialmente adocicado (mas muito levemente) para terminar amargo (com gosto forte de café, ou o meio termo: cappucino). Uma maravilha.

Teste de Qualidade: Brooklyn (parte 2)

– Brooklyn Monster Ale
– Produto: Barley Wine
– Nacionalidade: Estados Unidos
– Graduação alcoólica: 10,1%
– Nota: 4,57/5

– Brooklyn Black Chocolate Stout
– Produto: Imperial Stout
– Nacionalidade: Estados Unidos
– Graduação alcoólica: 10,1%
– Nota: 4,59/5

As duas foram compradas diretamente na distribuidora, a Casa da Cerveja, ao preço de R$ 18 a garrafa de 330 ml. Assim com a Moster Ale, a versão Black Chocolate Stout também é sazonal, sendo feita apenas de outubro a março.

Leia também:
– Brooklyn na contra-mão do imperialismo american lager (aqui)

Autor: - Categoria(s): Opinião do Consumidor, Provamos, Recomendamos Tags:
07/03/2011 - 10:52

Opinião do Consumidor: Theresianer

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O nascimento da cervejaria ítalo-austriaca Theresianer remonta ao período em que Trieste pertencia a Áustria. Mais precisamente em 1766, quando um austríaco obteve permissão de Maria Teresa da Áustria (arquiduquesa e soberana da Áustria, Hungria, Bohemia, Croácia, Mântua, Milão, Galícia, Lodomeria, Parma e Países Baixos Austríacos entre 1740 e 1780) para abrir a primeira cervejaria da cidade – seguindo o modo austríaco de fazer cerveja.

O nome da cervejaria homenageia o bairro Borgo Teresiano, em Trieste, próximo ao porto da cidade e ao Grande Canal, mas a cervejaria se encontra mais afastada do Mar Adriático, aos pés das Dolomitas, cadeia montanhosa dos Alpes orientais no norte da Itália, na cidade de Nervesa della Battaglia, província de Treviso (terra dos Callegari – pertinho, bem pertinho de Veneza). Ou seja, um local de água pura, ingrediente especial para qualquer boa cerveja.

A versão Premium Pils da Theresianer é uma pilsner que segue o padrão tcheco de qualidade: ela é bastante leve, muito mais loira e dourada que as novas pilsens, e mais lupulada também. O aroma destaca uma briga equilibrada entre malte e lúpulo (se alternando). Já o paladar, levíssimo, tem o lúpulo à frente do malte. O amargor característico persiste desde o primeiro toque na língua até o final duradouro, que marca a garganta. Uma pilsener belíssima e acima da média.

Se a pilsner dos italianos já é recomendável, a pale ale é ainda mais surpreendente. Assim como a loura da cervejaria, a Theresianer Pale Ale é levíssima e pouco amarga, ficando mais próxima das Pale Ale belgas do que das inglesas. O aroma carrega na intensidade do adocicado e do frutado (laranja, mel e caramelo) ao lado do malte e do lúpulo (ambos tímidos), que permanecem no sabor (com o álcool marcando presença discretamente) até o seu final extremamente suave. Para procurar em Roma e Veneza.

Além da Theresianer Premium Pils e da Theresianer Pale Ale, a Casa da Cerveja está trazendo para o Brasil a premiada Theresianer Vienna, que foi a que menos me conquistou do trio. As características estão todas ali: a cor acobreada, o aroma maltado e o sabor entre o caramelado e o amargo, mas ela não parece tão saborosa (a da Brooklyn, por exemplo, é maravilhosa, vá atrás), além de ser um pouquinho aguada e não tão amarga. É boa, mas perde para irmãs de estilo.

Teste de Qualidade: Theresianer

– Theresianer Premium Pils
– Produto: Pilsner
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 3,08/5

– Theresianer Pale Ale
– Produto: Pale Ale
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 3,15/5

– Theresianer Vienna
– Produto: Vienna Lager
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 5,3%
– Nota: 3,03/5

A Theresianer pode ser encontrada no Empório do Shopping Frei Caneca ou mesmo na loja da Casa da Cerveja (Rua Lisboa, 502, Pinheiros, São Paulo), todas com preço girando entre R$ 12 e R$ 15 (a garrafa de 330 ml).

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Autor: - Categoria(s): Opinião do Consumidor, Provamos, Recomendamos Tags:
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