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Arquivo de abril, 2010

21/04/2010 - 17:20

Opinião do Consumidor: Amstel Pulse

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A cervejaria holandesa Amstel Brewery foi aberta em 1870, em Amsterdã, e leva o nome do rio que corta a cidade, cuja água era usada na refrigeração das caves para o armazenamento da cerveja. Ela divide o mercado holandês com a Heineken, que comprou a cervejaria em 1968 e fechou a fábrica original em 1982, transportando toda a fabricação de Amstel de Amsterdã para Zoeterwoude, na província de Holanda do Sul.

A Amstel Pulse tem como origem o processo de micro-filtragem e é uma aposta da cervejaria para o público das baladas – e chega ao Brasil importada pela Femsa. A tampinha, que pode ser arrancada puxando um lacre, atesta isso (dispensando o abridor). Sem contar que ela é ainda mais leve que a versão tradicional da Amstel, de um litro, menos encorpada e com teor alcoólico um pouco menor (4,7% com 5% da tradicional). Ou seja: é para beber litros (mas de premium não tem nada).

Pessoalmente fiquei um pouco decepcionado com essa versão Pulse. A Amstel original é mais saborosa, enquanto essa é mais aguada. No entanto, não se engane: as duas são as típicas cervejas refrescantes para se beber muito debaixo de um solarão de 30 e poucos graus, o que as aproximam bastante das nossas cervejas tradicionais (além do sabor, também facilmente reconhecível, tanto que a Amstel original me acompanhou debaixo do solarão de verão em Benicassim.

Nesta versão Pulse, o malte e o lúpulo têm presença tímida, o que a deixa muito suave (ainda mais do que a nossa Bohemia tradicional), sem tanto amargor. É bem provável que o brasileiro aprove essa holandesa, desde que o custo caia. Uma long neck sai por R$ 5, o que não ajuda. A Femsa poderia importar a Amstel tradicional, de um litro, brigando pelo mercado conquistado pelas boas uruguaias Nortenha e Patrícia. Eu ficaria com a holandesa… já essa versão Pulse… quem sabe numa balada.

Teste de Qualidade: Amstel Pulse
– Produto: Premium Lager
– Nacionalidade: Holandesa
– Graduação alcoólica: 4,7%
– Nota: 2/5

Leia também:
– Amstel, nono lugar no Top Cerveja Tour Europa 2008 (aqui)
– König Ludwig, 1795 Dark, Czechvar, Jenlain e outras cervejas, (aqui)

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Amstel na praia em Benicassim, Espanha, 2008. Foto: Mac

Autor: - Categoria(s): Opinião do Consumidor, Provamos Tags:
19/04/2010 - 14:10

Opinião do Consumidor: König Ludwig

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Suavemente doce, mas nem tanto, essa bela Dunkel (uma lager escura tipicamente alemã) tem uma história bastante curiosa. Seu slogan no rótulo, “von königlicher Hoheit Bier”, ou “Cerveja de Sua Alteza Real”, tem a ver com sua herança no Reino da Baviera. O atual proprietário, o Príncipe Leopoldo da Casa de Wittelsbach, é bisneto do último rei, Ludwig III, e a linhagem ainda inclui o Duque Guilherme IV, autor da Lei de Pureza alemã, que limitava os ingredientes da cerveja a água, malte e lúpulo.

A König Ludwig Dunkel é produzida pela cervejaria König-Ludwig Schlossbrauerei Kaltenberg, que fica perto de Munique, mas não tão perto a ponto de ser convidada para participar da tradicional Oktoberfest que, veja só, surgiu após o casamento de um dos ascendentes da família da Casa de Wittelsbach, em Munique (só podem participar da Oktoberfest original, em Munique, cervejarias que mantém suas fábricas nos arredores da cidade, o que acontece apenas com sete fábricas, entre elas a conhecida Paulaner).

A Dunkel tradicional típica da Baviera é feita com maltes torrados que lhe conferem um gosto adocicado que fica entre o caramelo e o chocolate (podendo chegar a café). O lúpulo, de origem alemã, dá uma contrabalanceada deixando o sabor menos adocicado (se não fosse o lúpulo, uma planta da família da maconha, a cerveja seria totalmente doce). Toda boa cervejaria alemã que se preze tem uma Dunkel (que, acredite, foram anteriores as cervejas claras) em seu portfólio.

Esta König Ludwig tem um bom teor alcoólico (5,1) e um gosto adocicado que valoriza o conjunto e mais pede outra do que chega a enjoar (o que acontece muito com as cervejas doces). É uma cerveja bastante equilibrada, com o lúpulo marcando presença no aroma junto a notas claras de caramelo e o paladar destacando o malte torrado. O amargor é leve e a cerveja sobe que é uma beleza, valorizando a König Ludwig, que não chega a ser uma Kostritzer (uma das tops na categoria), mas ainda assim é muito boa. A garrafa de 500 ml pode ser encontrada por ai entre R$ 9 e R$ 11.

Teste de Qualidade: König Ludwig Dunkel
– Produto: Lager Dunkel
– Nacionalidade: Alemã
– Graduação alcoólica: 5,1%
– Nota: 3/5

Leia também:
– Kostritzer, uma das dez cervejas da tour Europa 2008 (aqui)

Autor: - Categoria(s): Opinião do Consumidor, Provamos, Recomendamos Tags:
17/04/2010 - 19:48

Opinião do Consumidor: Schmitt Sparkling Ale

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Segunda Schmitt a passar por este espaço, a história desta Sparkling Ale da cervejaria gaúcha é muito mais interessante que seu sabor. O pessoal da Schmitt – que, se você se lembra do post anterior, começou a fabricar cerveja em casa com a receita de uma vizinha alemã – estava fazendo testes de arrolhamento de cortiça para outra cerveja, a Schmitt Barley Wine Magnum. Após dois anos de pesquisa, incluindo a troca da cortiça por metal, eles perceberam que a cerveja – fermentada e refermentada na garrafa – que estava servindo de teste do fechamento era ótima, e assim nasceu a Sparkling Ale.

Ou seja, a Sparkling Ale veio ao mundo ao acaso, e é uma boa cerveja, mas não senti tanta diferença assim entre ela a Schmitt Ale do post anterior. As bolhas (sparkling) que a aproximariam da champagne (além da garrafa particular) e poderiam figurar como principal diferencial da Ale não apareceram na taça, mas o colarinho espesso e cremoso se destacou. A rigor, a Sparkling Ale deveria ser uma Pale Ale de luxo, mas seu baixo teor alcoólico também prejudica a comparação. O aroma é frutado e cítrico enquanto o sabor é levemente frutado e adocicado, com pouco amargor e final tristemente aguado.

Esta Sparkling Ale (garrafa de 750 ml por R$ 12) lembra demais a Schmitt Ale, no gosto e na aparência, o que deixa perceptível a busca por um padrão de qualidade. As duas carregam no malte e lembram trigo no sabor (e na cor), que se embaralha com o amargor (que é suave) e deixa o gosto final um pouco azedo e aguado. Ainda tenho a Barley Wine na geladeira para ver se a Schmitt ainda vira o placar aqui em casa, mas tenho dúvidas. Das seis categorias que a cervejaria trabalha, provei duas, e não gostei. Mas esse jogo pode virar com a La Brunnete Stout, a Barley Wine, a Magnum e a Big Ale na mesa. Tudo é possível. Por enquanto, placar adverso.

Teste de Qualidade: Schmitt Sparkling Ale
– Produto: Cerveja Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4,5%
– Nota: 1/5

Leia também:
– A Schmitt Ale se perde entre o azedo e o aguado (aqui)
– Backer Medieval, uma das melhores cervejas nacionais (aqui)

Autor: - Categoria(s): Opinião do Consumidor, Provamos Tags:
12/04/2010 - 19:20

Opinião de consumidor: 1795 Dark

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Teste de Qualidade: 1795 Dark
– Produto: cerveja lager
– Nacionalidade: República Tcheca
– Graduação alcoólica: 4,5%
– Nota: 3/5

Terceira cerveja da República Tcheca a freq uentar este espaço (a saber, as anteriores foram as ótimas Czechvar e a Primator 16% Exkluziv – links no final do texto), a 1795 é uma premium Lager original da cidade de Budweis, na Bohemia, produzida pela mais antiga cervejaria da região, a BMP (Budejovicky Mestansky Pivovar), que foi fundada no centro histórico da cidade em… 1795.

A BMP utiliza até hoje a receita original em seus tanques abertos de fermentação, atingindo os padrões estabelecidos pela D.O.C (Denominação de Origem Controlada) determinados pela União Européia, exclusivamente para cervejas produzidas na cidade de Budweis. Para comprovar é só procurar no rótulo o termo “Budejovické Pivo”, que garante a qualidade das cervejas feitas na região.

Há uma versão clara, deliciosa, mas aqui centramos o paladar na versão 1795 Dark, uma cerveja de baixa fermentação (lager) de belíssima cor escura que é bastante leve e refrescante. O aroma percebe a presença de malte tostado, café e um adocicado que lembra caramelo e mel. Já no paladar vem um gosto de café, e se sente um adocicado presente que deve combinar bastante com carnes.

Muitos que já provaram a 1795 Dark reclamam de seu adocicado (e seu baixo teor alcoólico), que não me incomodou. Ela não chega a ser tão doce quanto a francesa Jenlain e está longe, muito longe da nossa Malzibier. Há na 1795 Dark um leve amargor que mantém o gosto no paladar, e valoriza seu sabor. Não a toa, ela recebeu medalha de ouro e prata no Stockholm Beer and Whisky Festival (2006 e 2007). Seu preço varia de R$ 10 a R$ 15 (a garrafa de 500 ml). Vale experimentar.

Leia também:
– A Czechvar é um ícone da República Tcheca (aqui)
– Primator 16%, duas delas equivalem a seis de outras (aqui)
– Se Brigitte Bardot fosse engarrafada, seria a Jenlain Six (aqui)

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Marcelo Costa, o Mac, 39 anos. Editor do Scream & Yell. Começou com Keep Coller no colégio e passou pela fase Jack Daniels (pura, sem gelo) e do Hi-Fi (com Fanta Laranja) até se apaixonar por cachaças. Hoje em dia, socialmente, vai de caipirinha (de abacaxi ou morango), cervejas (as belgas são sensacionais) e Fanta Uva. Não bebe água, prefere coca-cola (de garrafa, 290ml).

Autor: - Categoria(s): Opinião do Consumidor, Provamos, Recomendamos Tags:
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